sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Trazendo à luz!


Daniel 2:22
"Ele revela o profundo e o escondido e conhece o que está em trevas; e com ele mora a luz."
Olá, queridos!

Estive recentemente em um retiro que transformou a minha vida!

É tão profundo ( e obviamente pessoal) que eu não ousaria compartilhar esses detalhes com vocês; até acho que minha experiência possa edificá-los, mas creio que independente de que maneira se dá nosso encontro com Jesus; seja em frente a um poço em Samaria, ou no alto de uma figueira brava, o importante é que independente de quem você seja ou onde esteja, ele é imutável!

Assim, o que quero compartilhar com você não é o que "me aconteceu", mas uma receitinha infálivel que o Senhor me ensinou e que se chama: Trazer à luz!

Sim, trazer à luz o lixo do nosso coração, nossas pobrezas morais e intelectuais, nosso orgulho (ah, esse então...), nosso eu-sou-crente-e-santo-por-isso-aprenda-comigo enquanto nossa alma padece na escuridão da mentira e do engano!

Meu Pai é luz, e a luz, quando se manifesta nas trevas, ANIQUILA toda escuridão!

Parece tão óbvio, né?!

Pois confesso que, para mim, foi uma surpresa ( porque a gente se acostuma a guardar a sujeira no quartinho escuro e acaba se esquecendo dela lá...) e um alívio ( porque o quarto escuro é inquilino do lombo de seu propietário...) ver minhas trevas iluminarem-se à luz de Jesus!

E esse texto que se segue abaixo, que eu coincidentemente (?) li hoje, datado de 2004, fala exatamente sobre esse exercício que eu aprendi no retiro e que estou me disciplinando para realizar diariamente!

Que o Senhor nos abençõe e nos ajude a sermos humildes diante Dele afim de que reconheçamos diariamente o quanto precisamos de Sua luz!

Polli



Paulo disse, escrevendo aos Efésios, que “tudo o que se manifesta é luz”.
Ora, esta afirmação carrega um bem psicológico e espiritual incomparável.
Digo isto porque deixar que o interior se expresse a nós mesmos, é o que de melhor podemos fazer por nossas vidas.
Alguém pergunta: por que?
Ora, esta pergunta é mais que pertinente, e isto por algumas razões bem simples de entender.


Primeiramente porque somos ensinados a esconder, a não deixar que nada se manifesta, visto que é nossa tarefa, como “bons cristãos”, darmos “bom testemunho” mediante um comportamento equilibrado, mesmo que o interior seja mais agitado e revolto que a força do Atlântico quando empurra o Rio Amazonas de volta para seu próprio lugar, depois que as poderosas correntes do rio invadem o oceano.


A segunda razão para não deixarmos que nosso interior se manifeste vem da certeza que se tem do “juízo dos outros” contra o que existe em nós—e que é a mesma coisa que existe em todos—; e, por isto, selamos com selos de medo e vergonha quem somos e o que sentimos, a fim de não sermos condenados pelos outros.


O que as pessoas parecem não saber ou crer, é que Jesus disse que aquilo que acontece no interior da casa um dia será gritado da varanda, pois, nada há oculto senão para ser revelado.
Ora, este princípio é inviolável!
E por que tal princípio é inviolável?

Primeiro porque o interior é vivo e dinâmico e jamais para de crescer.
Ou seja: se algo existe em mim, no meu interior, esse algo continuará a crescer até que venha para o lado de fora, para a luz. Assim, quanto mais eu empurro para dentro aquilo que existe em mim como realidade, mais eu aumento o poder do juízo no dia em que isto que está oculto vier a “gritar do telhado” a fim de se expor como verdade.


Portanto, não há como eu possa selar o meu inconsciente e fazer com que ele se cristalize em obediência às minhas necessidades de conformidade exterior.
Mais cedo ou mais tarde o que é, é...e passa a ser, mesmo contra a minha vontade.
Além disso, à semelhança do Atlântico quando empurra o Rio Amazonas de volta para seu próprio lugar depois que suas correntes invadem o mar, assim também o Inconsciente (Atlântico) empurrará as repressões do consciente (o Rio Amazonas) de volta para seu próprio curso, e força-lo-á a reconhecer a força que emerge do oceano de meu Inconsciente.


Esta é a pororoca da alma, e os resultados podem ser devastadores!
Ora, Paulo disse que uma vez que as coisas que estão dentro—por mais feias que nos pareçam—emergem e aparecem como sinais exteriores, seja pela via do comportamento ou apenas pela via da constatação dos sentimentos e pulsões interiores que em mim existem, então, elas começam a perder a sua força, visto que foram retiradas do ambiente no qual eles se alimentam—as sombras do inconsciente! O caminho para a libertação das trevas é trazê-las para a luz. Ora, a luz é a verdade.


Ou seja: o que nos liberta dessas forças compulsivas do interior é a exposição delas à luz da verdade em minha consciência.
Quando eu não me escondo mais de mim mesmo, e chamo pelo nome aquilo que em mim existe e que eu passo a vida tentando negar a existência, então, estranhamente, aquilo que passa a ser nomeado em mim, perde sua força, visto que sua fonte de energia é a escuridade da negação, e o ambiente do ocultamento culpado.


No entanto, quando abraçamos a verdade, essas sombras são iluminadas pela luz em razão de meu ato de reconhecimento e de não-negação da realidade em mim existente, e, paradoxalmente, perdem seu poder de assombrar, pois agora já não são mais “fantasmas”, mas realidades nomeadas pela luz.
A maioria das pessoas teme tal constatação pelo simples fato de que foram ensinadas que tais coisas precisam ser reprimidas e matadas por nós mesmos e em nós mesmos.


E, assim e desse modo, na tentativa auto-justificada de ser santo, eu me torno um tarado, ou um ser compulsivo e cheio de amargura e ódio, visto que nenhuma vida pode receber paz se existe em fuga de sua próprio interior.
Trazer nosso interior à luz não deve ser entendido como trazer nossa estultícia à luz.
Não, não é isto. De fato, o significado de “manifestar” o interior não tem que significar um mergulho de cabeça no mar das nossas compulsões e desejos reprimidos.


Ao contrário. De fato, tem-se que “manifestar” o interior justamente para que ele não se torne nosso “senhor” e nos obrigue, sem escolha, a expor pela pior via o nosso interior como doença do comportamento, e que pode fazer mal não apenas a nós mesmos, mas há muitas outras pessoas.
Trazer nosso interior à luz começa como vontade de não mais fugir de olhar para nós mesmos, e continua mediante a coragem de dar nome às coisas que até então nós chamamos de “nossas virtudes”.
Isto porque, em geral, quando o ser, como um todo, não veio para a luz sem medo, a tentativa da gente é “batizar” nossas doenças com nomes de santidade e virtude. Nesse caso, se alguém desejar saber quais são as suas piores sombras e monstros ocultos no seu ser, basta ver quais são os temas que mais o provocam como raiva e ódio em relação ao comportamento dos outros, visto que, normalmente, odiamos de todo o coração aquilo que mais desejamos, e não fazemos porque nos sentimos impedidos de realizar em razão de nossa própria virtude exterior.


Assim, a virtude auto-glorificada é sempre o diagnóstico da treva em nós ocultada!
O caminho, portanto, começa com o exercício de falarmos a verdade com nós mesmos, e pararmos de julgar o próximo com ódio, pois quanto mais negarmos que as mesmas coisas existem em nós, mais odiaremos aqueles nos quais tais coisas se manifestam, e, assim, tanto mais, pela via de nosso próprio ódio, aumentaremos nossa própria escuridade interior, e nossas sombras crescerão sem limites em nós.


Pense nisto!
Caio
26/07/2004

domingo, 1 de novembro de 2009

Três palavrinhas...

Para o Lucas;
Um menino grande: de tamanho e de coração!
Que me fez refletir durante nossas tagarelices,
Que me lembra Amor no sentido mais puro e literal da palavra...



Pessoa era um perdido, errante como qualquer um de nós.
Mas um dia contaram-lhe sobre a cruz, sobre o sacríficio e sobre o amor
E ele descobriu um novo mundo e um novo viver nos braços de alguém
Que ele sempre chamava de “Meu Senhor e Salvador”

E a partir daí Pessoa mudou demais;
Passou a andar direitinho, bíblia no braço
Hino bonito decorado, semblante renovado, cachaça nunca mais!

Era feliz e parecia sempre agradecido ao céu, às flores, aos passarinhos
Educado e polido, gentil do tipo agradador.
Olhavam pra ele e sabiam que o Pessoa era diferente e que
Alguma coisa fizera nele aquele tal “Senhor.”

E o tempo foi passando...
Contaram-me que Pessoa “cresceu na fé”;
Dizia-se lá, praquelas bandas, que isso significava que
A partir de agora ele era Levita/Pregador (?)
E que tinha um chamado, vindo do tal de seu Senhor

Pessoa deveria levar toda gente aos pés de um tal de Cristo
E devia, para isso, dar testemunho do seu fervor;
Ele agora era ministro, era pastor, era cantor.
Seu serviço era agradar esse Cristo e contar a todos
Como foi que esse moço o salvou.

E era isso que ele fazia, todo tempo, sem covardia;
Orava às 5 da manhã, todo o santo dia, e lia, ao menos, três capítulos da bíblia
E mantinha distância de certas comidas e pessoas( mas só por uns períodos)
Pra não contaminar seu interior.
Aprendeu novas línguas, dessas que nem no estrangeiro se diz
E dizia ele que se não falasse “como os anjos” duas ou três vezes ao dia
Não entenderia o que diz “o Espírito” e não poderia ser feliz.

Então ele saia apressado pra igreja e no caminho reparava;
Reparava nas crianças sozinhas na rua que as vezes chamavam,
“Tio Pessoa, nos dê a mão pra rodarmos cantando essa canção”
Mas ele só repreendia porque aquele canto de folclore não era cristão.
E um Levita/Pregador não se deixa ser visto como pagão...

E ele via o moço fumador de erva, com um olhar de pidão
Mas não podia fazer nada, porque não fica bem pro pregador
Um ministro da vida certa, ser visto em má companhia com um cheirador,
Correndo o risco de ser visto pelos tal de seus discípulos e ser delatado ao Pastor.

Ele soube da vizinha, bonitinha( "sai capeta!" era o que ele dizia...), mas muito namoradeira
Que estava no hospital sofrendo de muita dor
Mas não pôde lhe oferecer consolo, porque sabia que ela abortou;
No fundo queria dizer-lhe “eu me importo”, mas os irmãos poderiam pensar
Que ele havia sido o tal mal feitor, e isso nunca fica bem pra um Levita/Pregador.

E o que dizer dos sem comida, sem teto, sem esperança???
Ele fazia o que era correto: intercedia ao seu Senhor e Salvador
Para que este lhes desse seja lá o que for.
Pois, na bíblia do Pessoa diz que Deus sempre cumpre suas promessas,
E fazer aparecer a comida, a casa e o aconchego só por causa de sua oração
É que fazia o milagre ter mais sabor;além da certeza de que aquilo vinha mesmo dos céus do Senhor e não por sua decisão!

E ele viu e ouviu muita coisa nesse caminho

Mas a caminhada, de repente, ficou pesada e triste!
Porque embora ele estivesse seguindo seu Chamado
Era como se o “Chamador” o tal do Senhor, não mais existisse.

E ele tinha de fazer um tanto de coisas certas,
Pra não queimar preto no inferno feito um tição!
Mas seguir as regras do tal “Senhor” era assistir a vida passar a esmo
Tentando ser certo, justo e perfeito .
Mas, como isso era impossível, o Pessoa caiu no desespero e na solidão!

E na dor e tristeza ele fez uma outra oração:
“Ô Cristo, tal de Jesus, o que há de errado no meu coração?
Me esforço pra ser como Tu. Pago o preço que posso pagar!
Ninguém pode dizer contra mim um til, pois pra não envergonhar-Te
Da minha imagem não cesso de zelar!!!
Não sei o que foi que eu fiz pra ter tanta desolação...”

E aparaceu a tal da Graça, na forma do que chamam de Misericórdia
E foram até o Pessoa pra lhe dar Luz e trazer a resposta.
A qual Pessoa ouviu e viu seu mundo de tudo quanto é brilhante cor
Disseram pra ele que ele estava mesmo se esforçando
Mas esquecera-se do AMOR.

“Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh!!!” exclamou Pessoa encantado!
E logo soube que no meio do caminho ele começou a caminhar errado.
Lembrou que estava vivendo do sacrifíco e da cruz, como o Cristo Sofredor
Mas um irmão sabido chamado Paulo, um cabra muito entendido, já havia dito nos "Coríntio":
“Que o mais importante é o amor!”

Mas é que Pessoa sabia, que os irmãos da igreja admiravam o sacrifício e o viver difícil.
Admiravam a imagem bonita e resplandecente, mesmo que ela não estivesse
vivendo mesmo dentro da gente...
Admiravam os mandamentos e quem os cumpria bem direitinho
Admiravam a fala bonita do pecador que deixou tudo para trás
E que agora ele era livre,puro, bom, nobre, singelo e merecedor
De ir lá na frente pra ser ministro Levita/Pregador
Sabia que os perfeitos eram amados por serem assim
E tudo que o Pessoa queria era um tiquinho de amor...

A Graça lhe disse que tudo isso era hipocrisia!
E que jamais havia pedido a ele que tamanho sacríficio fizesse;
Lhe explicou que enquanto estivesse nesse mundo seria pecador digno de morte
Se Ela própria por ele não dissesse: -Pai,perdoa-lhes os pecados...não sabem o que fazem esses pobres”
Que Jesus, mais que Senhor era Amigo e que um verdadeiro amigo,
Não sobe, ou se engrandece perante os outros, orgulhoso de seus atos, ao contrário, desce;
Desce ao fundo do poço, ou até mesmo ao inferno pra resgatar o que anda consigo
Isso é claro, se este for mesmo seu verdadeiro amigo!

Ah! Como Pessoa anda mudado
Disse que A Graça foi que o ensinou quem relamente era o tal “Salvador e Senhor”
Contou que no fundo, a única coisa necessária é Amor.
Que o Pai do Salvador é o próprio AMOR!!
E por isso, seu serviço hoje é amar;
E Ele ama dentro e fora da igreja, ama mesmo correndo o risco
De não ser mais Levita/Pregador se for pego pelo pastor!
Porque a Graça mostrou pra ele que essa não é a preocupação de seu Amigo-Senhor.
E sim uma mentira inventada pelo tal Acusador.

Porque seu Amigo-Senhor andava com moças de “má fama” iguais à sua vizinha
( "-E ser bonita não faz da pobre uma capetinha...", ele acrescentou)
E também se ajuntava com toda espécie de fumador, bandido e pecador.
Comia à mesa com ladrão grande e pequeno, e quando os díscipulos questionavam,
Roxos de vergonha de tanta falta de decoro,
Ele sorria docimente e dizia; isso é AMOR!


Agora o Pessoa canta “Fui na Fonte do Tororó” na frente de todo mundo!
E sabe que fazer uma criança feliz demonstrando AMOR é sim serviço de Levita/Pregador
Ele conversa com todo mundo, até com aquele um que ainda hoje queima erva...
Também visita a moça impura na casa dela pra anunciar-lhe
Que seu Amigo- Senhor a perdoou.
E divide sua comida com os esfomeados,
Oferece calor aos que têm frio,
E quando não tem nada, oferece só AMOR!

O Pessoa agora diz pra quem quiser ouvir
que tudo que se faz, seja na igreja e diante dos irmãos
Ou na rua e até dentro de casa
Tem de ser feito por AMOR!
Ele diz que:

Oração sem AMOR é falácia
Cura sem AMOR é charlatanismo
Discernimento de espíritos sem AMOR é adivinhação
Falar em línguas sem AMOR é confusão
Milagres sem AMOR é exibicionismo
Tradição sem AMOR é legalismo
Boas obras sem AMOR é egocentrismo

Evangelho sem AMOR é hipocrisia e mentira...

Depois que descobriu o que era AMOR,
O Pessoa sentiu o que seu Salvador- Amigo- Senhor realmente sente por ele.
E muitas vezes o que o Pessoa gostaria de dizer, mas fica sem jeito pra falar,
Faz, em atitudes e gestos adoráveis que todo olho vê;
É que Pessoa entendeu que mais que “irmãos em Cristo”, é preciso ser realmente amigo
E que por causa de Cristo Jesus, ainda que seja difícil, é possível ao que crer
Dizer, até mesmo sem palavras, a todos que o rodeiam, algo simples e poderoso;
“Meu querido, à semelhança do meu mestre, verdadeiramente,

Eu amo você!”