terça-feira, 12 de outubro de 2010

A Peregrina - Parte I



Esta é uma história de ficção.
Ou uma alegoria...depende muito da sua ferramenta de leitura;
Pode ser seus olhos, ou o seu coração.

De qualquer forma, as semelhanças com a história de John Bunyan não são meras coincidências... ah, não; são absolutamente propositais!

Quer passear no meu mundo fantástico?!
Eu deixo você entrar...
Polli.


Deitada em minha cama box, lendo o último exemplar da Ultimato®, adormeci e tive um sonho.
Sonhei com uma menina. Seu nome era Impia e ela vivia em um grande e imponente Reino chamado Trevas( I Jo 5:19).
Impia se considerava feliz, mas estava sempre inquieta e também muito curiosa! Gostava de explorar o território, sempre imaginando o que haveria além do Rochedo do Cordeiro, a única fronteira entre seu mundo e um outro ao qual ela sempre ouviu dizer que era povoado de pessoas cizudas, intolerantes, burras e bravas!
Então vi que Impia passeava pelo jardim do Esclarecimento, quando passando pela esquina da fonte, tropeçou em uma pedra (Atos 4:11) sob a qual havia um livro chamado ESCRITURAS.
Impia começou a lê-lo e sua vida foi radicalmente mudada quando em um dado capítulo leu a palavra “Segue-me” (Lc 5:27).
Um fogo ardente queimou em seu coração, e percebeu que tinha em mãos uma nova certidão de nascimento, com um novo nome; Cristã! (II Co 2:17)
“-Ah, que nome lindo!”, pensou Cristã.
Mas, e daí?!

Então surgiu Vovó Conceição** e lhe explicou sobre um outro Reino, o Reino da Luz.
A ela foi dito que seu novo nome se encontrava no Grande Livro (Ap 20:12) e que era necessário levar este documento aonde quer que fosse; que a medida que fosse crescendo ganharia um documento menor, de mesma importância, porém mais resistente às interpéries chamado Identidade em Cristo.
Desde esse dia, a menina andava contente com sua certidão no bolso direito do vestido lilás, caminhando saltitante por uma estradinha chamada “Caminho, Verdade e Vida.” (Jo 14:6)
A estrada era estreita e cheia de pedregulhos, mas Cristã estava feliz porque de posse de seu livro e ouvindo o som do Vento chamado Espírito,(Jo 3:8) sabia exatamente que esta era a direção certa a seguir rumo ao Reino da Luz!


Cristã caminhava firmemente e percebeu, durante a caminhada, que alguns viajantes ajudavam outros durante a peregrinação oferecendo auxílio quando caiam, sapatos novos aqueles que caminhavam descalço, companhia aos que estavam sozinhos, etc.
Cristã começou a se perguntar se haveria um trabalho para ela também. Então o Vento chamado Espírito soprou forte (I Tm 4:14)e trouxe consigo um Rouxinol chamado Graça segurando uma linda flor que ao meu ver parecia um Lírio do Vale(Ct 2:1), só que mais brilhante e bem mais perfumado!
Graça lhe entregou a flor e disse: sinta esse Aroma Suave, deixe-o invadir seu coração e então cante!
Instantaneamente Cristã começou a cantar e se percebeu que enquanto cantava a muitos desanimados pela estrada se levantavam, alguns que haviam se machucado eram curados,(Is 61:1) muitos paravam de caminhar e ficavam estacionados simplesmente vendo-a cantar, outros sequer percebiam sua presença pelo Caminho, mas Cristã estava tão feliz e embriagada com aquele cheiro de flor que nem pensava a respeito.
Ela estava transbordando, e então cantava. E ponto final!


Cristã caminhava muita segura até que encontrou uma ponte instável sobre um abismo profundo chamada Desilusões Dessa Vida.
Percebeu que o Caminho Estreito à levara diretamente para aquele local.
“-Que trem* estranho!... exclamou Cristã.
“Esse lugar é tão feio, tão frio... como foi que o Espírito pôde soprar e me guiar até aqui? Há algo errado!”
Cristã não sabia, mas um monstro enorme, cheio de tentáculos melequentos e muito sórdido conhecido como Dúvida estava lançando cordas invisíveis para prendê-la!
Seu objetivo era impedi-la de atravessar Desilusões Dessa Vida e lançá-la no abismo!
Muito desconfiada, Cristã abriu novamente as Escrituras.
E leu que “todas as coisas cooperam para o bem daqueles que O amam...”(Rm 8:28)
Embora não estivesse nada animada, decidiu crer no livro e avançou em direção à ponte.
Pobre Cristã... mal começou a caminhar e viu que a Desilusões Dessa Vida era instável e se movia demais; ela sentia enjôos e náuseas e não parava de vomitar!
Se agarrava às cordas rotas que lhe machucavam as mãos e a faziam sangrar. Doia, doia muito! (Jó 2:8)
Ela gritava desesperadamente pra que outros lhe estendessem a mão... mas Desilusões Dessa Vida havia derrubado todas as suas grandes companheiras: A Certeza, A Justiça Própria (sua melhor amiga até então...) e a Alegria.
Cristã pensava que estava só e condenada... então lembrou-se que quando cantava muitos eram curados;
“Talvez eu possa curar a mim mesma!” Pensou tomada por imensa angústia (II Cr 33:12).
Mas cantar sem Alegria parecia tão triste. Cantar sem Certeza era tão medonho...


Cristã havia andado mais da metade da ponte, ainda assim sua agonia parecia não ter fim!
Ela pensou em desistir... então anjos foram enviados para ajudá-la; um Príncipe, inclusive no Nome; uma Moça descendente do País das Maravilhas e uma outra Moça que parece pertencer às Nações e que (dizem lá pela Ilha do Amor) possuir um par de asas!
Eles gritavam insistentemente:
-Continue! Nós já passamos por essa ponte também, conhecemos suas feridas, sabemos da sua dor, mas não a deixaremos parar aí!Você vai conseguir, continue... lembre-se que o Caminho ainda não acabou. Você encontrará Esperança! Continue, continue...


Cristã estava exausta! Tão cansada que nem percebeu que o vento ficava mais forte a medida que atravessava a ponte, e que embora incômodo, era isso que a empurrava para frente.
Ela pensava estar só porque Dúvida, embora não a tivesse jogado no abismo, havia enlaçado a pobre criança por todos os lados, tirando seu foco do Caminho.(Sl 18:5)
Ela se lembrou do aroma do Lírio do Vale, entoou alguns cânticos desafinados e então, como um vendaval, o Espírito soprou impetuosamente e Cristã, finalmente saiu da ponte e chegou a uma caverna chamada Olaria.(Jr 18:2)


Cristã estava em frangalhos: seu vestido lilás se encontrava completamente roto, seus pés estavam descalços, suas mãos sangravam, seu coração chorava.
Sua pequena bagagem, os Sonhos que trazia em suas mãos, caíram enquanto ela tentava segurar as cordas em Desilusões Dessa Vida.
Ela não tinha mais nada!
Ôpa! Péra aí; tinha sim: sua certidão de nascimento continuava com ela, seu nome ainda estava escrito no Grande Livro! Era preciso prosseguir, e além do mais, seus amigos disseram que ela encontraria Esperança...


Cristã entrou na caverna. O lugar era tenebroso; úmido, frio e escuro. Ela sentia seus pés afundando na lama densa do Desespero. (Jr 8:18)
Teve medo. Lembrou-se de cantar, mas dessa vez sua voz ecoava pelas paredes subterrâneas propagando-se em ondas que retornavam aos seus tímpanos tão estridentes que pareciam facas agudas de dois gumes.
Sua própria voz a incomodava.
Cristã decidiu não mais cantar!
O silêncio era ensurdecedor, mas ela preferia o prazer da solidão muda à tristeza de ouvir sua voz retinindo sozinha naquele mundo que ela sabia não ser seu.
O breu era intenso, Cristã não podia recorrer às Escrituras, pois não conseguia enxergar um palmo diante do nariz. A única luz que via era um lânguido brilho distante dali, apontando um lugar no qual, talvez, acabasse a escuridão.
Mas ela nem se importava; os laços de Dúvida (Sl 31:4) a prendiam de tal forma que ela se arrastava bem devagar se afundando cada vez mais em Desespero.
E quando tentava se livrar das cordas, o monstro da Força Prórpria (Zc 4:6) que é muito sútil, apertava ainda mais firme os nós.
Tive pena de Cristã; a cena era horrível e a pobre menina estava cega, surda e muda, além de amarrada.
Achei que era o fim.. eis que então me surpreendo com o que vejo!!!


Cristã se lembra que nas Escrituras as pessoas eram exortadas a viver não por vista e sim por Fé!(Hb 2:2) E que o Rei do Reino da Luz havia dito que não seria fácil, mas que Ele já havia vencido (Jo 16:33).
Ao mesmo tempo em que lhe ocorrera este pensamento, Cristã começou a ouvir murmurinhos... e por incrível que pareça também viu vultos em meio à intensa escuridão.
“- Não estou só, não estou só...” pensou consigo.
E então sentiu a mão forte e poderosa daquele que seria seu grande aliado; Dependência de Deus(sl 34:18)!
Ele a abraçou paternalmente e lhe disse que jamais esteve só (Is 49:15-16), ao que Cristã, ainda muito ferida e amarrada replicou:
“-Como você pode dizer isto? Eu andava pelo Caminho como li nas Escrituras e esta estrada estreita me trouxe até aqui. Fui ferida, machucada, perdi a bagagem de Sonhos... estou cega, surda e muda! Oras, onde você esteve, porque não me ajudou antes, e...”
Cristã não resistiu e desatou a chorar: um choro amargo e ao mesmo tempo libertador. Dependência de Deus sabia que ela precisava desabafar. Acariciou seu rosto e quando Cristã se recompôs ele disse:
“- Cristã, você não está cega, nem surda, ou muda! Você está me vendo, falando comigo e me escutando...” Dependência de Deus deu uma sonora gargalhada:
“-Hahahahahahahahaha... você nunca esteve de posse de suas faculdades sensoriais tão bem quanto agora!Hahahahahaha”


To be continued (hihihihihihih :-D)

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