terça-feira, 24 de agosto de 2010

Escolhendo um "Rei"


Gente, deixei de lado meus achismos aqui no blog pra falar de algo sério e que realmente tem ardido em meu coração:

Política!

Não, não se preocupe; eu não sou da direita conservadora, ou da esquerda liberal, não sou do "meio termo", não sou socióloga, antropóloga, nunca me aprofundei nas questões do direito constitucional, civil, eleitoral...

Eu sou só a Polliana.

Mas essa Polliana tem um dever de eleger alguém pra governar este país! Essa Polliana já fez sua escolha, e esta escolha é Marina Silva.

Sim, eu sou cristã, me congrego em uma igreja batista, sou díscipula de Jesus, e talvez você pense que minha escolha tem relação religiosa.

Não, não tem!

Justamente porque leio a bíblia, sei que a maior bobagem que um povo pode fazer, é eleger um "rei" segundo seus interesses pessoais.

Isso já aconteceu antes na história, foi em Israel; o povo tinha o melhor Rei que poderia haver: um Rei Todo-Poderoso, mas que era invísvel, capaz de ganhar qualquer guerra ou batalha, mas que usava exércitos pequenos, preferindo usar seus prórpios poderes, confundindo os inimigos e assim fazia seu povo prosperar.

Este Rei era absoluto; em caráter, em palavra em justiça em poder.

Mas, não...Israel olhava para as outras nações que tinham reis humanos. Ora, se todos têm um rei assim, por que nós seríamos diferentes?

E eu lhes pergunto: porque assusta tanto ser diferente?

Por que assusta tanto uma mulher parda, simples, que com muita força de vontade e muita fé em Deus, venceu a pobreza, a ignorância, o machismo e se propõe a melhorar esse país?

Por que escolher o que há anos escolhemos, e sabemos que dá uma melhoradinha ali, pra piorar acolá?

Precisamos de uma nova Reforma! Não uma Nova Reforma Protestante, não um Novo Concílio de Trento.

Nós precisamos de uma reforma nas nossas consciências, nas nossas mentes, na acomodação das nossas escolhas irreponsáveis, nos nossos "achismos"!

Paremos de achar; vamos ter certeza!

Eu não posso garantir, nem a mim mesma, sobre o caráter, a lealdade, e firmeza da Marina. Claro que não! Eu não há conheço como conheço o Rei de Israel!!!
E assim, como você, já fui ludibriada outras vezes...

Mas eu posso ter certeza das propostas que li e da plataforma equilibrada e bem estruturada que ela construiu!

O povo de Israel pagou tão caro por Saul...

Eu prefiro pagar por escolher não segundo a opinião dos outros, ou os números da pesquisa eleitoral, ou a opinião do William Bonner!

Eu prefiro pagar por escolher alguém, que pelo menos, queira realmente tentar algo que nunca foi feito neste país:

MUDANÇA!


Segue abaixo a resposta da Marina ao comentário feito por Dom Moacyr em maio deste ano:



Ao amado Dom Moacyr

Por Marina Silva

Li na Folha (22/5) sua afirmação de que sou frágil e não tenho perfil para a Presidência da República.

No início, fiquei triste. Já tinha ouvido algo parecido do senhor, de forma carinhosa, mas ler assim como está no jornal tem outro peso.

Refletindo mais, reconciliei-me com sua mensagem.Quando ando por aí, muitos me dizem que minha luta é de Davi contra Golias.

Então vamos conversar sobre passagens bíblicas, que conhecemos bem. Elas se completam e iluminam o que quero dizer.Quando Saul terminava seu reinado, Deus mandou o sacerdote e profeta Samuel ungir novo rei entre os muitos filhos de Jessé.

O profeta procurou entre os mais belos, os mais fortes e os mais habilidosos, mas Deus descartou todos. Jessé lembrou então de Davi, o seu filho mais novo, que pastoreava ovelhas. O profeta o achou muito fraquinho, meio esquisito.

Mas Deus ordenou que o ungisse rei dos israelitas, porque olhava para o seu coração, e não para a sua aparência.Foi assim que Davi foi escolhido para ser rei.

E logo provou seu valor ao enfrentar Golias, o gigante filisteu, guerreiro acostumado a usar escudo, capacete e armadura e a manejar a espada. O jovem Davi, aparentemente fraco e sem muito preparo para aquele tipo de duelo, ganhou a luta porque não tentou usar a armadura de Saul, que lhe fora ofertada e nem lhe cabia direito.

Usou sua própria arma, a funda, e ali colocou a pedra para jogá-la no lugar certo, na testa do gigante.Assim como o senhor, dom Moacyr, Samuel era homem corajoso, temente a Deus, preparado para o sacerdócio desde um ano de idade.

O senhor é muito importante na minha vida, da mesma forma que Samuel foi na vida de Davi. E está me vendo com olhos cuidadosos, preocupados com circunstâncias que talvez me causem sofrimento. Mas, como sabe por experiência própria, não podemos ficar presos às circunstâncias.

Quando o senhor chegou ao Acre, aos 36, enfrentou os poderosos e ficou do lado de Chico Mendes e de todos os que eram aparentemente fracos e despreparados para enfrentar os gigantes das motosserras.

Como me ensinou, não me intimido com as circunstâncias e procuro me encontrar com o que está no coração de homens e mulheres sinceros, que, como o senhor, buscam fazer o melhor, apesar das dificuldades e riscos.

Aprendi com o senhor boa parte dos valores que me guiam, entre eles não vergar a coluna às pressões dos interesses espúrios.
Por favor, meu amado irmão, não me diga agora que esses valores não servem para governar o Brasil e me fragilizam.

Tranquilize-se: eles são e continuarão sendo a minha força e a minha funda diante dos desafios, qualquer que seja o tamanho deles.

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